Total Shares 2

Boas, iscte mestrados

Antes de começar este testemunho quero esclarecer que o meu objetivo é dar a conhecer a minha experiência no mundo dos mestrados do ISCTE e não recorrer a crítica barata e destrutiva só por mera parvoíce. Quero partilhar aquilo que tenho vindo a vivenciar ao longo destes dois últimos semestres de forma a poder facilitar a decisão de um qualquer recém-licenciado que esteja neste momento a ponderar as suas opções (algo que me fez muita falta quando estive no mesmo processo no ano anterior).

Para além disso é também importante perceber que tirei a minha licenciatura em gestão numa das duas universidades de topo de Portugal (não vou referir qual para não exaltar ânimos ou ferir suscetibilidades) e por isso toda a análise é feita com base na comparação com essa mesma faculdade de elite.

 

Related: Studying at ISEGTécnico (IST)ISCTE-IUL and Nova SBE – real testimonials!

 

Começando…

Após terminar a licenciatura, existem essencialmente duas possibilidades: ir trabalhar, ou então continuar a estudar e tirar o mestrado. Uma vez que a vontade de começar prontamente a trabalhar da minha parte não era muita e juntando-se o facto de um mestrado valorizar certamente o meu currículo, tal fez com que a minha opção recaísse por tirar o Msc in Management no ISCTE.

Obviamente, esta decisão de ir para este curso em específico foi ponderada e teve como base as seguintes ideias:

  • Faculdade conceituada e reconhecida no mercado de trabalho;
  • Ambiente em geral descontraído e menos competitivo em comparação com outras faculdades de topo;
  • Conhecer pessoas novas e uma realidade diferente da qual a que estava habituado;
  • Grande variedade de cadeiras optativas que me permitem direcionar o mestrado da forma que eu achar mais indicada;
  • Reduzir um pouco a carga de trabalho que três anos de licenciatura exaustivos foram mais que suficientes.

Se em certos aspetos posso dizer que o que encontrei foi exatamente aquilo do que estava à espera, noutros apanhei um grande choque (nunca pensei que fosse possível fazer tão pouco na minha vida…)

 

Related: Erasmus experiences in Los AngelesSouth KoreaItaly and France!

 

Desorganização, desorganização, desorganização…

A nível de organização é para esquecer. As cadeiras não estão minimamente coordenadas e os professores por vezes parecem estar mais perdidos que os próprios alunos.

O mais curioso é que a falta de comunicação existe mesmo entre professores que lecionam precisamente a mesma cadeira (a única diferença é o facto de um ensinar em português e outro em inglês) chegando-se mesmo verificar o caso que um dos professores das turmas de português proibiu os seus alunos de partilhar os seus slides das aulas com os das turmas de inglês (quando normalmente esta gestão é feita no portal da disciplina online para todos os alunos do mestrado). Mas não fica por aqui, já que por mais de que uma vez me aconteceu a mim e a outros colegas situações de professores que marcam datas para apresentações ou entregas de trabalho que depois se “esquecem” ou então simplesmente não querem saber e “ah, fica para a próxima aula…”.

Para além disso, recentemente foi nomeado como Coordenador/Diretor do Mestrado em Gestão o professor mais desorganizado que alguma vez encontrei na minha vida de estudante, pelo que se este ano já encontrei a confusão total, estou curioso para ver o que irá acontecer nos próximos tempos…

 

Related: Erasmus experiences in South KoreaItalyFrance and the USA!

 

Background em gestão !?!?!…

Um outro ponto extremamente negativo é a falta de utilidade das cadeiras obrigatórias em geral. Sabendo que o mestrado é dirigido a alunos com background em gestão ou em economia, então as matérias discutidas em aula deveriam ser mais aprofundadas ou diferentes daquelas que já foram faladas na licenciatura, no entanto o contrário é que se verifica.

Em comparação com a licenciatura, a matéria dada não só não é nova, como acaba por em grande parte ser menos aprofundada do que foi durante os 3 anos de curso, o que não é minimamente admissível.

Para vos dar uma ideia, na cadeira obrigatória de finanças foram abordados temas como o Time Value of Money, o que na minha opinião é um pouco ridículo.

Todos estes fatores são preocupantes para uma das mais conceituadas faculdades de gestão e economia do país e de certa forma refletem-se na elevada preocupação que se denota nos alunos do ISCTE relativamente à entrada no mercado de trabalho.

Ao contrário das outras universidades de topo em que a questão é mais em que empresa vou trabalhar, a ideia que me tem sido transmitida nestes meses de mestrado é que o medo dos licenciados do ISCTE é se sempre existem os tais famosos ponderadores especiais para alunos da Católica e da Nova (mas isso são outros 300)…

Ambiente fantástico… tudo aquilo que não se via noutras faculdades da área!

Mas nem tudo é negativo e uma das coisas que não só correspondeu, como excedeu as minhas expectativas foi o ambiente vivido na faculdade.

Todo o pessoal que tenho encontrado no mestrado é 5* (até os alunos de Erasmus!) e estão sempre disponível para ajudar em tudo o que for necessário, desde da participação nas tão famosas festas do ISCTE, como a nível de materiais de estudo, etc.

Se por um lado, quando entrei na licenciatura todo o processo de adaptação foi complicado (e posso mesmo afirmar que nunca me senti 100% adaptado), aqui tudo foi fácil e rápido e passado pouco tempo já existia uma clara afinidade entre todos os membros da turma (não me lembro de uma única situação de confusão ou problemas entre os estudantes).

É também de realçar todo o trabalho desenvolvido pela AE que está presente em diversas iniciativas (não, não é só na organização das festas) e consegue proporcionar aos seus “clientes” uma grande variedade de eventos e projetos.

Conclusões e aspetos a melhorar iscte mestrados

Antes de mais, se és daquele tipo de alunos extremamente organizados, que gosta de ter tudo certinho e direitinho e queres sempre aprender mais e mais, não venhas para o ISCTE.

Todos os mestrados vão ser menos “puxados” que a licenciatura (seja na Católica, na Nova, ISEG, ISCTE, etc.), no entanto no ISCTE vais-te sentir um pouco frustrado e nem o bom ambiente te vai safar.

Se gostas mais de viver a vida com calma, na tua, sem grandes problemas e confusões, então o ISCTE é o local ideal. Vais adorar a experiência e será certamente um marco na tua vida (garanto-te que vais passar metade do ano de férias…. Não, não é só o verão…).

Atenção! Eu não estou com isto a fazer nenhum juízo de valor relativamente a quem está certo ou errado. Cada um é como é e deve adaptar as suas escolhas ao seu feitio.

 

Relacionado: 11 negócios de milhões criados por estudantes!

 

Para terminar, gostaria só de deixar algumas sugestões para melhorias no mestrado (mesmo que ninguém ligue nenhuma) …

1º- Não é possível continuar a viver na rebaldaria total. A aposta na qualidade dos conteúdos lecionados tem de ser revista e alterada.

2º- Presenças obrigatórias? A sério? … Alunos de mestrado já têm de ter maturidade suficiente para gerir a sua vida da melhor forma possível. Aulas obrigatórias são coisas de secundário.

3º- Reorganizem o calendário letivo. Não é possível atingir um bom “ritmo de trabalho” se se tem aulas semana sim, semana não.

4º- Para terminar, reduzam o número ou a duração das cadeiras obrigatórias. É óbvio que é necessário que certas cadeiras sejam lecionadas num programa de mestrado, mas quanto maior for a possibilidade de ajustar o meu currículo letivo às minhas preferências melhor será.

DISCLAIMERThe articles featured on our platform were prepared or accomplished by students in their personal capacity. The opinions expressed in this article are the author’s own and do not reflect the view of UDUNI. UDUNI does not accept any responsibility or liability for the accuracy, content, completeness, legality, or reliability of the information contained in these articles. It is part of our mission to empower students, by providing them access to real testimonials and opinions, and we believe that is the reason why some of our articles may not please everyone.
Total Shares 2
  1. Concordo em parte com os comentários acima. No entanto na tese que está o verdadeiro valor do mestrado. A tese no iscte é muito mais completa e profunda que na Nova ou na Católica, em que não passam de formalidade para “inglês ver”. Duram 1 ano e a dimensão é muito maior do que aquilo que é exigido noutros lados.

  2. Totalmente de acordo, esse mestrado é a vergonha do ISCTE, não tem nada a ver com a exigência de qualquer outro na mesma instituição. Está desenhado para quem não tem bases de gestão e não o contrário. No ISCTE era conhecido como sendo o mestrado dos perguiçosos, daqueles que queriam um ano de descanso depois da licenciatura. Arrisco-me a dizer que os conteúdos são talvez mais básicos do que outros leccionados no 1º ano de licenciatura. Acho que passa uma imagem má da faculdade, visto que essa não é a realidade (de todo) no mestrado de Economia, Finanças ou Contabilidade.

    No entanto, à semelhança do que se passa nas de elite também, os mestrados resumem-se cada vez mais a uma forma fácil das instituições encaixarem €.

Leave a Reply